Investigadores encontram a primeira “cura funcional” de VIH em criança

Investigadores encontram a primeira “cura funcional” de VIH em criança

Uma equipa de investigadores descreveu o primeiro caso de “cura funcional” de uma criança infectada pelo VIH. A descoberta, dizem eles, pode ajudar a eliminar a infecção por VIH na infância.

O VIH na criança em causa, um bebé, desapareceu depois de ele ter recebido terapia anti-retroviral após as primeiras 30 horas de vida. Os investigadores dizem que provavelmente a administração imediata do tratamento antiviral levou à cura, travando a formação de reservatórios virais difíceis de tratar – células responsáveis por reacender a infecção na maioria dos pacientes com VIH num prazo de semanas após interrupção do tratamento.

“A terapia antiviral imediata em recém-nascidos pode ajudar crianças a verem-se livres do vírus e a alcançarem a remissão a longo prazo, sem tratamentos ao longo da vida, prevenindo a formação de esconderijos virais, em primeiro plano”, explicou a virologista Deborah Persaud, principal autora do relatório.

Foi isto que aconteceu a este bebé, agora considerado “funcionalmente curado”, condição que ocorre quando um paciente alcança e mantém a remissão viral a longo prazo, sem tratamentos ao longo da vida e com os testes clínicos a não detectarem a replicação do VIH no sangue.

Contrariamente à cura de esterilização – erradicação completa de todos os vestígios virais do corpo –, a cura funcional ocorre quando a presença do vírus é tão mínima que permanece indetectável aos testes clínicos padrão, mas perceptível aos métodos ultra-sensíveis.

A criança descrita no relatório nasceu de uma mãe infectada pelo VIH e recebeu tratamento anti-retroviral 30 horas após o nascimento. Os testes mostraram uma diminuição progressiva do vírus no sangue, até atingir níveis não detectáveis 29 dias após o nascimento, explica o All Africa. A criança continuou a receber antivirais até aos 18 meses de idade, depois disso parou o tratamento. Dez meses após a interrupção, nenhum dos testes sanguíneos detectou a presença do vírus.

Foto: Sob licença Creative Commons

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