Sutiãs ajudam vítimas de tráfico humano em Moçambique

Sutiãs ajudam vítimas de tráfico humano em Moçambique

Existe uma associação sedeada em Denver, Estados Unidos, que luta contra o tráfico de mulheres em África, recorrendo a uma arma fora do vulgar: o sutiã. A Free the Girls recolhe as peças de roupa interior doadas por todo o país e envia-as para Moçambique, onde são vendidas em mercados de roupa usada. Aí, os sutiãs constituem peças de luxo e a sua venda uma boa fonte de rendimento para as vítimas.

O projecto mereceu destaque na CNN numa altura em que já tinha angariado mais de 20 mil sutiãs, mas não tinha dinheiro para os enviar para África. Paul Jarzombek, da LR International, viu a história e disponibilizou-se para levar gratuitamente as peças de Chicago a Maputo, o que fortaleceu a cadeia solidária em torno da causa.

A Free the Girls foi fundada em 2010 por Dave Terpstra e Kimba Langas, um pastor e uma dona de casa. O grande objectivo é apoiar mulheres vítimas de tráfico sexual, dando-lhes a oportunidade de um recomeço, através da criação de emprego e sustentabilidade financeira.

Depois de uma viagem a Moçambique, Dave Terpstra mudou a sua perspectiva acerca do problema, resolveu lutar contra ele e mudou-se para o país. Na procura por ideias que pudessem ajudar no combate ao tráfico humano, deu-se conta da enorme quantidade de roupas em segunda mão que são vendidas em Moçambique. Começou por pesquisar o valor dos sutiãs no mercado e descobriu que a venda de apenas duas peças era o equivalente ao salário médio de um dia de trabalho.

A Free the Girls lançou um programa-piloto na Primavera de 2011, dando trabalho a três raparigas na venda dos sutiãs que Langas e outros voluntários angariam nos EUA. O que começou como uma simples página de Facebook tornou-se viral e, desde 2010, já mais de 70 mil sutiãs foram enviados para Moçambique.

Todas as mulheres envolvidas no projecto são sobreviventes de tráfico sexual, resgatadas por grupos de ajuda e que são apoiadas para conseguirem reconstruir as suas vidas. A maioria das mulheres é vendida a proxenetas pelas próprias famílias – ou forçada a entrar na prostituição entre os oito e os 12 anos. Por sua vez, muitas são mães precocemente, seropositivas e sem poder económico.

O programa oferece-lhes uma oportunidade de trabalho e uma fonte de rendimento. Actualmente existem 10 mulheres no programa e cada uma vende entre 100 a 500 sutiãs por mês, o que lhes permite viver de forma independente e confortável.

Uma das raparigas envolvidas sustenta-se agora a si própria, ao namorado, à irmã e aos três filhos da irmã, recorrendo apenas à receita da venda das peças de roupa interior. Tem ainda dinheiro suficiente para construir uma casa.

A Free the Girls planeia dar início a mais programas-piloto em quatro locais em 2013, mostrando que está de facto ao alcance de qualquer um tornar o mundo num sítio melhor.

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