Índia: milho híbrido torna-se o preferido dos agricultores

Índia: milho híbrido torna-se o preferido dos agricultores

Os agricultores do Rajastão, na Índia, estão muito satisfeitos com o resultado das suas colheitas de milho deste ano. Trata-se de milho híbrido fornecido pela empresa norte-americana de biotecnologia Monsanto.

Jeevraj Roat, um agricultor da aldeia de Virat, severamente afectada pela seca, viu a sua colheita quase duplicar para 250 Kg, depois do cultivo de 5 Kg de sementes híbridas. “Eu sei que é perigoso mas não temos composto de vaca ou outro fertilizante orgânico em quantidade suficiente”, diz ele, lamentando ter recorrido também ao uso de fosfato de diamónio, um fertilizante químico.

Roat é um dos habitantes da área ocupada pelos marginalizados povos tribais Bhil. O Estado esforça-se agora por melhorar a segurança alimentar de cerca de 200 mil agricultores que vivem abaixo do limiar de pobreza, encorajando-os a plantar milho e algodão híbridos.

As autoridades agrícolas do Rajastão dizem que as sementes tradicionais não estão a conseguir adaptar-se às temperaturas mais altas que se fazem sentir na região. Mas a aposta nas sementes híbridas está a ser contestada por grupos da sociedade civil.

Para além da oposição ao algodão, os contestatários estão particularmente preocupados com uma parceria público-privada com a Monsanto para a implantação de milho híbrido, sobre o qual questionam a viabilidade a longo prazo.

O Rajastão tem a maior área de cultivo de milho da Índia – cerca de 16%, o que se se traduz em 1.10 milhões de hectares, avançou o The Guardian.

Um relatório do ano passado levado a cabo pela Aliança para a Agricultura Sustentável e Holística (ASHA), um grupo agregador de 400 ONGs, identificou vários problemas no milho híbrido. A mais óbvia está ligada a questões financeiras – para terem as sementes, os agricultores têm de as comprar e as empresas aumentam exponencialmente os seus preços, ano após ano.

O milho híbrido tem uma vida útil mais curta e apenas pode ser armazenado durante dois meses – passado esse período, transforma-se em pó.

A ASHA defende ainda que as autoridades estão assim a promover o sector privado, ao invés de fortalecer a própria produção de sementes de milho de alta qualidade, das variedades tradicionais, para distribuir aos agricultores.

No Rajastão, metade do milho semeado é agora híbrido. Não se conhecem ainda os impactos destas culturas para os ecossistemas.

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