Níger lança estratégia para acabar com fome crónica no país

Níger lança estratégia para acabar com fome crónica no país

O Níger está a tentar pôr fim à sua escassez crónica de alimentos através de um ambicioso plano de transformação agrícola. O país enfrenta os perigos de uma população em rápido crescimento, num território maioritariamente desértico.

Cerca de 6,4 milhões de nigerinos passaram fome durante a crise de alimentos do Sahel, em 2011 e 2012. Isto fomentou, por parte do governo de Issoufou Mahamadou, o lançamento da Iniciativa dos 3N – Les Nigériens Nourissent les Nigériens (Nigerinos Alimentam Nigerinos). A estratégia abrange a transformação de alimentos, meio ambiente, energia e indústria.

Numa fase inicial, a acontecer entre 2012 e 2015, estima-se que o custo da iniciativa ronde os €1,5 mil milhões. O objectivo principal passa por combater a insegurança alimentar e a desnutrição. Mas alguns especialistas dizem que isto será impossível, dado o clima severo e a pobreza da região.

As secas são a maior ameaça para a agricultura no Níger – o país enfrenta secas uma vez em cada dois anos. A seca é responsável por 80% das perdas em termos de produção agrícola. Mesmo num ano de menos flagelo, há uma parte da população que permanece vulnerável. Somente 1% do território, no extremo oeste, recebe mais de 600 milímetros de chuva por ano.

Desta forma, apenas 12% do território do Níger consegue suportar a agricultura. Isto enquanto se regista uma taxa de crescimento populacional de 3,3% – uma das mais rápidas do mundo. A população duplicou entre 1988 e 2010, passando de cerca de sete para 15 milhões.

“80% da população depende da agricultura, não temos alternativa senão desenvolvê-la”, disse  Amadou Allahoury Diallo, alto comissário da Iniciativa dos 3N. O projecto passa pela introdução de tecnologia moderna no país, pela distribuição de melhores sementes aos agricultores e pela criação de medidas que melhorem o financiamento agrícola e a gestão do mercado.

No Níger – e em grande parte do Sahel – os preços dos cereais básicos estão acima da média. Os preços do milho, alimento base para as famílias do país, situa-se 30% acima da média. É prioritário haver uma diversificação e melhoria da produção de alimentos, gestão de recursos naturais – especialmente água – e uma melhoria do sistema de mercado para uma melhor distribuição alimentícia.

A segurança alimentar é um assunto inevitável para qualquer governo no Sahel, o que significa que o envolvimento na Iniciativa dos 3N não tem de estar limitado à duração da administração Mahamadou. “Vamos desenvolver uma política agrícola a ser adoptada como uma lei que seria aplicável mesmo depois deste governo”, disse Diallo.

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