Chile: indústria mineira e madeireira deixam o país sem água

Chile: indústria mineira e madeireira deixam o país sem água

Mais de 100 organizações ambientais, sociais e indígenas protestaram na capital chilena, Santiago, exigindo que o Estado recupere o controlo da gestão da água, que foi privatizada pela ditadura em 1981.

Mais de 6.000 pessoas participaram na semana passada numa marcha pacífica pela recuperação e defesa da água, segundo os organizadores. Os manifestantes entregaram uma carta ao presidente Sebastián Piñera, queixando-se que a escassez de água que afecta as comunidades locais é devida não só à seca persistente, mas também a problemas estruturais nas políticas que regem a exploração dos recursos naturais.

“Descobrimos que há água no Chile, mas que o muro que o separa de nós se chama lucro e foi construído pelo código de água de 1981, pela Constituição, pelos acordos internacionais como o tratado binacional [com a Argentina] e, fundamentalmente, pela imposição de uma cultura onde é encarado como normal que a água que cai do céu tenha proprietários”, lê-se na carta.

A indústria mineira, que utiliza quantidades significativas de água, é um dos principais pilares da economia chilena, com as exportações de cobre a representarem um terço da receita do governo, avança o The Guardian.

O movimento luta pela revogação do código da água, aprovado pela ditadura de Augusto Pinochet, que tornou o bem numa propriedade privada, concedendo ao Estado o direito de conceder os seus direitos a empresas de forma gratuita e perpétua. O código permite que os direitos de uso da água sejam comprados, vendidos ou arrendados, sem ter em consideração as prioridades locais para o uso da mesma.

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