Vietname aposta nos transportes públicos antes da chegada dos carros

Vietname aposta nos transportes públicos antes da chegada dos carros

A Cidade de Ho Chi Minh, a mais populosa no Vietname, está a esforçar-se por instalar um sistema de metropolitano local antes de os habitantes começarem a apostar no automóvel. As cidades nos países em desenvolvimento incentivam muitas vezes as pessoas a conduzir – antes mesmo de os transportes públicos estarem implementados. E uma coisa é certa: assim que as pessoas entram no carro, é difícil tirá-las de lá.

Neste momento, a mobilidade em Ho Chi Minh traduz-se em motas. Elas são responsáveis por 60% a 65% de todas as viagens na cidade, contribuindo para um trânsito caótico e uma enorme poluição. Registam-se anualmente na cidade entre 800 a 900 mortes nas estradas, a maior parte delas de motociclistas. A cultura das duas rodas tem também contribuído para uma forma desconexa de expansão conhecida como “desenvolvimento leap-frog”, de acordo com um recente relatório do Banco Mundial.

Mas muitos especialistas em transportes concordam que uma vez que os habitantes trocam as motas pelo carro, a situação só tende a piorar. E esse dia está a aproximar-se rapidamente – as vendas de automóveis no Vietname cresceram 8% este ano e em Ho Chi Minh o rendimento per capita ultrapassou os €2.300 (R$ 5.980) que em 2011 levaram a um pico de vendas.

Actualmente, os carros representam apenas 5% dos trajectos na cidade, segundo o Banco Mundial, mas se as espectativas se concretizarem, a cidade enfrentará graves problemas de congestionamento.

Tudo isto se agrava devido à fraca presença de transportes públicos em Ho Chi Minh que, até à data, se têm revelado muito pouco populares entre os cidadãos. Os autocarros públicos representam apenas 5% das viagens na cidade, sendo associados a um serviço para os passageiros com baixos recursos.

Mesmo assim, existem sinais de esperança – depois de anos de planeamento, o metro está finalmente a chegar. O sistema vai abranger 106 Km e será provido de seis linhas. A abertura ao público não deverá ocorrer antes de 2017, o que significa que durante mais alguns anos não serão estimulados hábitos de transporte sustentáveis.

Para colmatar esta lacuna do serviço, o Banco Mundial ajudou a Cidade de Ho Chi Minh a implementar um sistema de Bus Rapid Transit (BRT). As autoridades percorreram Curitiba e Bogotá, lares para alguns dos autocarros mais rápidos do mundo, assim como cidades na China e Indonésia, protagonistas de semelhantes emergentes problemas de congestionamento. De seguida, mapearam um corredor de autocarros capaz de incentivar ao desenvolvimento de alta densidade, obter energia solar e melhorar o futuro sistema de metro.

No Outono passado, a cidade anunciou oficialmente os planos no valor de €117 milhões (R$ 303 milhões) para o seu sistema de BRT, ao longo de 24 Km. Segundo o The Atlantic Cities, uma frota de 30 autocarros irá cobrar tarifas mais baixas a estudantes e pessoas pobres.

Espera-se que este modelo seja copiado para outras partes do mundo, como um suplemento do circuito de trânsito, enquanto aguardam a conclusão do sistema de metro. Neste caso, ninguém pode dizer que Ho Chi Minh está de braços cruzados à espera que a era dos automóveis toma conta da cidade.

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