Jovem empreendedor norte-americano leva energia limpa e quase gratuita para o Haiti

Jovem empreendedor norte-americano leva energia limpa e quase gratuita para o Haiti

Não haverá, no planeta, nenhuma meia-ilha tão devastada por guerras civis e fenómenos naturais como o Haiti. Todos nos recordamos, ainda, no sismo que destruiu parte do seu território em 2010.

Hoje, 75% da população haitiana não tem acesso a energia eléctrica, uma realidade impressionante até para países do terceiro mundo, mas que o norte-americano Daniel Schnitzer quer mudar.

Em 2008, o empreendedor – então com 22 anos – foi contactado por uma haitiana radicada nos Estados Unidos, que encontrou o seu nome quando pesquisava, na internet, sobre a construção e geradores de redes de iluminação na rua.

Então, Schnitzer era um jovem consultor de energia. “Tinha desenvolvido, na universidade, estudos sobre energia. Interesso-me pelo assunto desde os 12 anos. Esta haitiana convidou-me para desenvolver um destes geradores no Haiti, foi aí que começou a minha ligação ao País”, explicou o norte-americano à revista brasileira Veja.

Especializado em energias renováveis, Schneider começa agora a colher os frutos do seu trabalho neste país, o que o levou a ser considerado, pela conceituada Forbes, como um dos destaques do empreendedorismo no sector da energia.

O jovem tem uma empresa – EarthSpark International – que comercializa produtos de energia solar sob a marca Enèji Pwòp. Estes são vendidos em lojas haitianas, possibilitando a comunidades que ainda não tem acesso à rede eléctrica tradicional uma forma barata de carregar o seu telemóvel ou ligar o fogão, por exemplo.

Estes produtos – lâmpadas LED, carregadores de telemóveis e fogões – funcionam com energia solar. “No Haiti, quase 40% da população tem telemóvel, mas a maioria paga bastante para carregar o aparelho em lojas que têm acesso a energia”, explica Schnitzer, que passa metade do ano no Haiti.

Os produtos são testados e certificados pela International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial focado em desenvolver o sector privado de países emergentes, pelo Departamento de Energia americano e por universidades norte-americanas.

Mais do que um negócio, esta é uma missão social. A EarthSpark International facturou €78 mil (R$225 mil) em 2012, o suficiente para cobrir as despesas e remunerar os funcionários. Cerca de 10% do orçamento das famílias do Haiti é destinado à energia, quando este número poderia facilmente descer para os 2%. É esse o objectivo final de Schnitzer.

Para além de vender produtos solares, a EarthSpark International oferece financiamento, formação, assistência de marketing e planeamento de negócios para os seus vendedores expandirem as operações. A empresa tem já 100 vendedores em território haitiano – eram 75 no final de 2012 e 25 em 2011.

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