Como as mulheres transformam a agricultura no Japão

Como as mulheres transformam a agricultura no Japão

Yukako Harada, de 29 anos, faz parte de um grupo pequeno mas determinado de mulheres agricultoras que trabalha para revitalizar o enfraquecido sector agrícola do Japão. A produção agrícola do país sustenta apenas 39% das suas necessidades alimentares – uma queda acentuada dos 73%, em 1965. Segundo Harada, este é o momento certo para uma reforma na agricultura que tem de envolver mais os jovens e as mulheres.

Em 2010, Harada, nascida em Tóquio, ingressou no Girls Farm – um projecto lançado em Yamagata, na região de Tohoku da ilha de Honshu, por uma agricultora interessada em mudar a imagem da agricultura japonesa. Graças ao grupo, a região está rapidamente a tornar-se num novo e melhorado sistema agrícola, composto por jovens mulheres que trabalham nos campos.

De acordo com Masao Fukunaga, um economista especializado no desenvolvimento rural, há um interesse emergente na agricultura, não tanto como actividade de geração de lucro, mas de libertação mental do stress da vida citadina – bem como de crescente consciencialização da necessidade de impulsionar a segurança alimentar do país.

Em 1999, 2,8 milhões de famílias estavam envolvidas em empresas agrícolas – hoje esse número caiu para 200 mil famílias, fortemente dependentes de rendimento não-agrícola. No total, o sector é composto por pouco mais de 1% do PIB.

Esta situação, dizem os especialistas, é o resultado de uma política nacional que ignorou a agricultura em prol do desenvolvimento industrial. A urbanização espalhou-se rapidamente, com extensas áreas rurais a serem convertidas em fábricas. As quintas familiares foram deixadas sob o cuidado de pais idosos, a verem os filhos mudarem-se para as cidades em busca de empregos mais bem remunerados.

As mulheres são boas agricultoras

Os especialistas defendem que as autoridades devem garantir um lugar especial para que as mulheres revitalizem o sector agrícola.

O governo, por seu lado, parece já se ter apercebido dos erros passados e está a apostar em soluções que invertam os estragos – foram recentemente investidos €38,4 mil milhões (R$ 109,5 mil milhões) na promoção do direito das agricultoras à propriedade da terra e do rendimento, em contraste com a tradicional cultura da gestão feita pelo marido ou pai de família.

Algumas pesquisas mostram que as mulheres agricultoras são boas em inovação. Elas estão a criar novos produtos com valor de mercado – como compotas, geleias ou até pequenos restaurantes –, populares entre os consumidores japoneses.

Segundo a IPS News, os dados do governo divulgados em 2011 mostram que mais de três quartos dos novos empreendimentos agro-industriais eram chefiados por mulheres. O quw não deixa de ser fantástico para um sector que há uns anos era controlado por homens, com as mulheres a terem direito apenas a uma pequena parte do rendimento familiar.

 

Comentários (Facebook):

Deixar uma resposta

Patrocinadores