Ratos gigantes podem acabar com as minas em Moçambique em 2030

Ratos gigantes podem acabar com as minas em Moçambique em 2030

Quando, pela primeira vez, especialistas libertaram ratos num campo repleto de minas, em Moçambique, gerou-se algum cepticismo compreensível entre os vários funcionários do governo. Mas quando os roedores gigantes, depois de percorrerem o território, começaram a parar para arranhar e identificar a presença de uma mina terrestre, não demorou muito até a multidão ficar convencida.

Trata-se de ratos especiais – conhecidos como HeroRats ou ratos de detecção de minas. São especialmente treinados pela Apopo, uma ONG belga que pesquisa, desenvolve e implementa tecnologia para fins humanitários, como a desminagem.

Desde que os ratos da Apopo foram postos em acção, em 2006, já desminaram com sucesso mais de seis milhões de metros quadrados de zona rural de Moçambique, descobrindo 2.406 minas terrestres, 992 bombas e 13.025 armas leves e munições. Crê-se que, graças a este recurso, o país possa estar livre de minas em menos de 20 anos, informa a BBC.

A remoção das minas é a parte mais fácil do processo – a mais difícil é descobrir onde elas estão. Actualmente, existem inúmeras formas de detectar minas terrestres, incluindo técnicas manuais e enormes veículos mecânicos. Mas estes processos podem ser muitos caros e demorados. Os ratos, por outro lado, conseguem fazê-lo de forma bastante rápida e eficiente.

Estes animais oferecem várias vantagens. Em primeiro lugar, são extremamente baratos. Os ratos africanos gigantes são uma espécie indígena que pode ser encontrada por todo o continente. Devido à sua débil visão, dependem fortemente do seu olfacto apurado que os torna ideais para a detecção de explosivos.

Os ratos também podem viver até oito anos em cativeiro, maximizando o retorno no investimento em formação. A Apopo estima que um rato custe cerca de €6 mil (MZN 240 mil), durante a sua vida útil – o que se traduz em aproximadamente €100 (MZN 4 mil) por mês, se for posto a trabalhar durante apenas quatro anos.

Em segundo lugar, os ratos são espertos o suficiente para aprenderem tarefas repetitivas de forma relativamente rápida, sem se cansarem ou distraírem facilmente. Ao contrário dos cães, os ratos não estão vinculados aos seus treinadores, o que facilita a sua transferência e manipulação. Também contrariamente aos cães, são demasiado leves para activarem acidentalmente uma mina.

Finalmente, uma das maiores vantagens dos ratos é a sua velocidade. Eles depressa identificam qualquer tipo de metal, seja uma lata ou algo pior, o que representa um aviso à equipa para intervir. Como são treinados para farejar explosivos, há poucos alarmes falsos e conseguem até mesmo detectar minas de plástico.

Treinar um HeroRat demora cerca de nove meses, em espaçosos campos de treino da Apopo em Morogoro, na Tanzânia.

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