Tanzânia investe em estratégias para enfrentar as alterações climáticas

Tanzânia investe em estratégias para enfrentar as alterações climáticas

Se os agricultores da Tanzânia analisarem os seus campos ressequidos durante as estações secas cada vez mais intensas, percebem que as alterações climáticas já estão a acontecer. Mas falamos de um país que enfrenta desafios em várias frentes – incluindo a resistência dos agricultores em alterar velhos hábitos e a constante dificuldade em se adaptarem a uma mudança do clima.

O projecto oficial da Tanzânia para alcançar o seu objectivo de se tornar numa economia de médio rendimento, até 2025, depende da expansão da sua produção agrícola. Outros países têm alcançado essa meta graças ao “efeito multiplicador” do desenvolvimento da agricultura, que lhes permite atacar a fome e a pobreza ao mesmo tempo. Na Tanzânia, a agricultura representa cerca de um terço do PIB e emprega três quartos da população – trabalhar numa melhor resistência ao clima é essencial para reduzir a pobreza e garantir o futuro do país.

Uma série de ONGs estão responsáveis por apoiar a agricultura ao longo de toda a cadeia de abastecimento. Juntam-se a elas empresas empreendedoras que prometem melhores sementes, fertilizantes e produtos. Quanto ao governo, ele está a apoiar o crescimento de grandes quintas, que acredita poderem empregar tecnologias que ajudem os pequenos agricultores, através de acordos locais.

No entanto, o governo está a perceber que, mesmo com ajuda externa, a tarefa é difícil. Intensificar projectos bem-sucedidos e recolher evidências que demonstrem que a evolução valeria a pena é um processo lento. Além disso, as falhas de infra-estruturas podem impedir o progresso – as chuvas tornam muitas vezes as estradas intransitáveis e as pobres instalações de armazenamento de colheitas deixam os alimentos vulneráveis a apodrecimento, parasitas e fungos.

A Cheetah Development, com o seu projecto Solar Dryer, pretende diminuir a quantidade de alimentos perdidos anualmente após cada colheita. A empresa vende prateleiras especializadas que podem ser usadas para secar alimentos, como tomates e cebolas, que de outro modo acabam por apodrecer. A seguir, volta a comprar esses produtos secos e vende-os em outros locais.

Outro projecto consiste em ensinar os agricultores das montanhas do sul da Tanzânia a diversificarem as suas produções, em grande parte porque a mistura de alimentos pode melhorar a nutrição. A iniciativa está a ajudar a incorporar vegetais mais variados e ricos em vitaminas em dietas que muitas vezes consistem quase inteiramente em ugali (prato à base de milho) e feijão.

Foto: Sob licença Creative Commons

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