Nova Iorque tem enorme potencial de enfrentar crises alimentares súbitas

Nova Iorque tem enorme potencial de enfrentar crises alimentares súbitas

Quando o furacão Sandy atingiu a costa leste dos EUA no ano passado, fez mais do que apenas inundar as ruas e cortar a electricidade – a tempestade também revelou as terríveis deficiências nas infra-estruturas e uma preocupante crise alimentar. Em muitas zonas de Nova Iorque, as pequenas e médias mercearias ficaram vazias durante muito tempo após a energia ter sido restabelecida. Isto porque dependem de distribuidores de alimentos provenientes de longas distâncias. Regressar a um sistema alimentar local na cidade é prioritário para evitar este tipo de crise no futuro.

Não foram apenas as lojas danificadas e as toneladas de alimentos contaminados os grandes estragos causados pelo Sandy – registaram-se também desafios físicos para os transportes de abastecimento que tentavam chegar a Nova Iorque com comida. “Eles só podem chegar cá se conseguirem cá chegar”, disse Franklin Fernandez, manager da Met FoodMarkets.

E esta não foi a primeira vez que a cidade enfrentou este tipo de problema – o massivo apagão de 1977 (e os subsequentes saques), o grande apagão do nordeste de 2003 e o ​​furacão Irene em 2011 causaram crises semelhantes, revela o Inhabitat.

A explicação mais simples para este problema é que as grandes empresas alimentares se sobrepuseram aos pequenos produtores locais, substituindo os pontos de distribuição centrais pelas suas próprias fábricas e armazéns localizados a centenas de quilómetros de distância. As empresas que controlam estes armazéns mudaram a forma como gerenciam o fluxo de alimentos. Preocupadas com os ganhos e as perdas, frequentemente armazenam apenas o suficiente para atender a uma procura estável, sendo que quando surge uma situação de crise são completamente incapazes de responder.

Para além disto, apenas uma parte dos alimentos são realmente produzidos nos Estados Unidos. A globalização do abastecimento alimentar sustenta todos estes problemas, colocando os estômagos à mercê das catástrofes – naturais e provocadas pelo Homem – registadas também noutros países.

As empresas que criaram este sistema altamente globalizado não vão mudar a sua forma de funcionamento no futuro próximo. E, por enquanto, os líderes governamentais de cidades como Nova Iorque parecem ignorar o problema. Resta assim à população civil tentar apoiar os produtores locais.

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