Oncologista do Gana regressou ao país para ajudar crianças com cancro

Oncologista do Gana regressou ao país para ajudar crianças com cancro

Quando Lorna Renner começou a trabalhar como médica no Gana, muitos dos seus colegas queriam sair do país. Foi o que fez a Renner (à direita), embora por motivos diferentes. Como médica-residente no Hospital Universitário de Korle Bu em Acra, capital do país, Renner reparou que havia pouca experiência no tratamento de crianças com cancro. Renner partiu então para o Reino Unido de forma a especializar-se em oncologia pediátrica, decidida a regressar ao seu país para dar uso às suas novas competências.

Renner passou por vários hospitais durante um período de sete anos, terminando no Hospital Real para Crianças Doentes, em Edimburgo. Renner não se sentiu tentada a permanecer por lá, apesar de saber o desafio que a aguardava. Empenhada, carinhosa e persuasiva, ela acabou por tornar-se o rosto e a força motriz por trás do tratamento do cancro infantil no Gana nos últimos 10 anos e é agora oncologista pediátrica em Acra. Renner trouxe esperança a centenas de crianças doentes, tendo inspirado uma geração de estudantes de medicina que beneficiaram do seu ensino.

Por meio de muitas entrevistas à imprensa, Renner também tem sido responsável por acções de sensibilização para a doença – angariando dinheiro de igrejas, grupos de mulheres e doadores particulares no Gana para melhorar os serviços hospitalares e ajudar a subsidiar os custos dos tratamentos. Embora o Gana possua um sistema de saúde que cobre os custos relativos a muitas doenças, o cancro infantil não é uma delas. A forma mais comum de cancro nas crianças do Gana, o linfoma de Burkitt, pode ser tratada por cerca de 518€ (1688 cedis ou 22 mil meticais), o que está além do alcance de muitas famílias.

Os dois hospitais do Gana em que se tratam crianças com cancro têm aproximadamente 250 novos casos por ano, mas crê-se que 1000 novos casos se desenvolvam no país a cada ano.

Renner questiona-se sobre o que acontecerá às 750 crianças que os hospitais não conseguem atender, sendo por isso que iniciou uma parceria entre o Hospital Universitário de Korle Bu e a instituição de caridade britânica World Child Cancer, para que médicos, enfermeiros e farmacêuticos viajem até ao Gana a cada seis meses para ensinarem os funcionários médicos locais a tratar e cuidar pacientes com cancro. A instituição de solidariedade ajuda a subsidiar os custos de testes e medicamentos para as famílias mais pobres, tendo financiado campanhas de sensibilização por todo o país.

E Moçambique, será que tem condições para convencer os seus médicos a regressar?

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