Suazilândia: súbditos de monarca milionário morrem à fome

Suazilândia: súbditos de monarca milionário morrem à fome

Segundo um artigo publicado no AllAfrica, o jornal suazilandês The Swazi Observer visitou a aldeia de KaMbhoke na região de Shiselweni, na Suazilândia, e descreveu-a como um “vale da morte”. As chuvas têm sido escassas, as culturas têm falhado e agora, segundo o jornal, a comida acabou nesta.

A pobreza e a fome percorrem todo o território da Suazilândia, onde sete em cada 10 pessoas de uma população de 1,3 milhões de habitantes ganha menos de 2$ por dia (62 meticais). A extensão da fome no reino da Suazilândia é desconhecida e é raro a imprensa suazilandesa visitar as áreas ruais para investigar, mas também os meios de comunicação internacionais ignoram a verdadeira dimensão da fome no país.

Poucos são os jornais internacionais que publicam notícias sobre a Suazilândia e os que o fazem tendem a concentrar-se em histórias sobre a grande riqueza do Rei Mswati III. Último monarca absoluto da África subsaariana, Mswati III tem uma fortuna avaliada pela revista Forbes em cerca de 200 milhões de dólares (6,2 mil milhões de meticais).

Apesar dos súbditos de Mswati III viverem numa pobreza extrema, o Rei tem 13 palácios, um avião privado e frotas de carros topo de gama da BMW e da Mercedes. A 4 de Janeiro, foi anunciado que o Rei iria estender um dos seus palácios, tendo de destruir casas e uma escola para acomodar as novas divisões. Numa mensagem de ano novo partilhada com os seus súbditos, o Rei afirmou que “rezar e trabalhar duro” será a solução para a fome no seu reino.

Em 2012, três investigações diferentes por parte do Fórum Económico Mundial, da Organização das Nações Unidas e do Instituto de Estudos de Segurança da União Europeia concluíram que o governo suazilandês é culpado da recessão económica e do posterior aumento do número de suazilandeses que começaram a passar fome.

Foto:  Retlaw Snellac Photography / Creative Commons

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