A castração de suínos é mesmo necessária?

A castração de suínos é mesmo necessária?

Na semana passada, a política norte-americana Joni Ernst lançou uma campanha em que compara a sua experiência em castrar porcos, nas fazendas da sua família, com os meios políticos para reduzir custos em Washington.

O vídeo chamou a atenção dos internautas e remeteu para a questão: afinal o que envolve exactamente a castração de suínos?

A prática da castração cirúrgica de suínos é utilizada, principalmente, para impedir a produção de um odor desagradável que é produzido pela carne do porco, chamado de “odor sexual”, e que está relacionado com as hormonas produzidas naturalmente pelos porcos machos não castrados.

Embora isso não afecte a carne, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América não permite que a carne de machos não castrados entre na cadeia alimentar humana.

Para além disso, o potencial comportamento sexual e agressivo dos porcos é outro dos factores para os quais a castração é tida como solução. Em quase todo o mundo os porcos são castrados, excepto aqueles que são utilizados para reprodução.

De acordo com a American Veterinary Medical Association (AVMA), os machos suínos devem ser castrados com 14 dias de idade e, embora possa ser difícil para os fornecedores de gado, existem formas que podem reduzir a dor associada a esta técnica – que geralmente é uma experiência extremamente dolorosa para os leitões.

A imunocastração é uma dessas formas de diminuir a dor da castração, e é uma técnica que envolve a injecção de um composto de proteínas que funciona como uma imunização para suprimir a produção das hormonas do porco, indica o The Dodo.

Nos Estados Unidos, apenas pode ser administrado nos porcos um medicamento chamado Improvest, pois é o único aprovado pela FDA. No entanto, nutros países, o mesmo tipo de fármaco, com o nome Vivax, é usado com maior frequência.

No Reino Unido, Irlanda, Noruega e Suíça a castração é executada sem anestesia, enquanto em Portugal e Espanha esse método já foi proibido em algumas zonas. A União Europeia comprometeu-se a proibir totalmente a castração sem anestesia até 2018, um movimento inovador que deixa aquém países como os Estados Unidos.

James McWilliams, jornalista, escritor e professor, escreveu para a Slate que “a questão da castração dos suínos é moralmente complicada”. “Como consumidores responsáveis, é fácil decidir evitar a carne de porco vinda de fábricas, a parte mais difícil é tornar estar alternativa aceitável”, escreveu.

“Numa época de ataques profundamente convincentes acerca das quintas industriais, os consumidores devem ter cuidado ao não assumir imediatamente que todas as alternativas para a pecuária industrial sejam tão naturais ou humanas como os seus defensores declaram, pois as alternativas podem exigir ainda mais alternativas”, concluiu.

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