Os móveis ajudam a preservar as florestas?

Os móveis ajudam a preservar as florestas?

A desflorestação é um dos grandes problemas globais, como todos sabemos e, de acordo com a organização ecologista WWF, se não se tomarem medidas a partir de agora, até 2050 vão perder-se cerca de 2,3 quilómetros quadrados de florestas, uma área superior à do México.

No entanto, existem cada vez mais iniciativas que evocam a sustentabilidade das florestas e que são capazes de reverter esta tendência, pois também são, cada vez mais, tidas em conta pelos consumidores na hora de comprar móveis e soalhos de madeira.

Uma floresta viva é um recurso natural de valor incalculável e a sua principal importância no meio ambiente é a capacidade de reter dióxido de carbono e de libertar oxigénio.

De acordo com a NASA, 42% do carbono da superfície terrestre está contido nas florestas mundiais, que contribuem, por outro lado, para evitar a desertificação.

“Se a floresta não serve aos seus proprietários para poder viver, eles acabam por a desflorestar para outros usos”, explica Gustavo Anguita, director-executivo do FSC (Forest Stewardship Council), uma das maiores organizações de certificação florestal.

A crise fez cair a importação das madeiras tropicais na Europa, motivo pelo qual aumenta, a cada dia que passa, a tensão das empresas madeireiras, que queram continuar a limpar a floresta, desta vez para a transformar em área de cultivo, explica o El Pais.

“Há que consumir madeira, mas há que fazê-lo de uma forma responsável”, refere Anquita.

“Em princípio, qualquer móvel de madeira é de origem sustentável por si mesmo, caso contrário não estaria no mercado europeu”, aponta Manuel Carrillo, director do Instituto Técnico do Móvel e da Madeira.

Em 2013, entrou em vigor o Regulamento Europeu da Madeira, que proíbe a venda de madeira “aproveitada ilegalmente” e obriga os fabricantes e vendedores a serem “devidamente diligentes” para se assegurarem de que aquilo que compram não vem de exportações ilegais. No entanto Carrilo alerta que “ainda falta alguma legislação que sancione os incumpridores da lei”.

Não ser ilegal, no entanto, não significa que seja ecológico, mas o consumidor não está desamparado. “Existem mecanismos de certificação que creditam a origem sustentável da madeira”, refere Carrillo. “Ou seja, que a madeira provém de florestas onde as árvores são cortadas, plantadas e cuidadas adequadamente para optimizar o impacto ambiental”.

O problema para o consumidor é ter várias etiquetas por onde escolher. As principais entidades certificadoras, a FSC e o Programa de Aval de Certificações Florestais (PEFC), competem entre si.

“A FSC tem o apoio de associações ambientais”, diz Alberto Romero, secretário-geral da Associação Espanhola da Industria do Comércio e da Madeira (AEIM), “enquanto que a PEFC foi desenvolvida pela própria industria da madeira”.

Desde o principio que a FSC se quer eleger como o único sistema fiável. No entanto, o diálogo entre as associações também nos remete para uma componente económica.

Certificar uma floresta pela FSC custa em média, anualmente, entre €15 a €45 por hectare. Ambas as organizações controlam a floresta onde se encontra a madeira, de forma a que a produção de faça conforme os princípios que respeitem o ecossistema, o solo, a água e o papel das florestas nas mudanças climáticas.

Segundo Alberto Romero, o sector móvel espanhol, “como o do resto da Europa”, vai muito “a reboque”, comparado com o norte do continente, que é ecologicamente mais consciente.

O rastreamento da madeira passa por saber a origem de cada peça de cada móvel, ainda que seja difícil de controlar. Especialmente com as madeiras tropicais.

“O principal foco de risco são os móveis de jardim”, diz Romero. “O problema é o rótulo que indica o lugar de fabrico e a origem da madeira. Uma mesa de madeira nobre pode estar etiquetada como fabricada no Vietname, por exemplo, mas não se sabe de onde são as árvores especificamente”.

Foto: Moyan_Brenn / Creative Commons

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