Moçambique: ratos gigantes são treinados para identificar a tuberculose

Moçambique: ratos gigantes são treinados para identificar a tuberculose

A maior parte das pessoas vê os ratos como animais sujos que transmitem doenças, uma praga. Se é verdade que os ratos podem espalhar a mortandade – as grandes pestes dos séculos passados são exemplos -, também é verdade que os ratos podem ajudar a erradicar doenças e salvar vidas humanas.

Desde 2008, que uma equipa de cientistas treina na Tanzânia uma equipa de 77 ratos africanos gigantes para detectar a tuberculose. O treino dos animais está a cargo dos cientistas da Apopo, uma empresa social belga e os resultados indicam que os ratos são mais rápidos e precisos a identificar a doença que as técnicas convencionais, que requerem o uso de testes e microscópios.

A tuberculose, além do VIH, é a doença que mais mortes causa a nível mundial e pode ser difícil de identificar com técnicas médicas obsoletas – as únicas que existem em muitos países subdesenvolvidos, como a Tanzânia. Como tal, muitos casos de tuberculose não conseguem ser identificados. Em 2012, a doença matou 1,3 milhões de pessoas, refere o Dodo.

Os ratos gigantes, que podem atingir 90 centímetros de envergadura (incluindo a cauda), são ensinados a reconhecer o odor da tuberculose microbacteriana na expectoração e saliva humana. Quando os animais identificam uma amostra que testa positivo para a tuberculose, os cientistas imitem o barulho de um clique, para que o rato associe o cheiro à amostra correcta, e oferecem uma pequena recompensa ao roedor.

O treino destes ratos demora nove meses e começa quando ainda são ratos bebé. O treino de cada rato custa cerca de €5.720, mas os animais podem viver até oito anos e são baratos e manter.

Desde que o programa de treinos foi implementado, os ratos identificaram mais de 3.500 casos que as clínicas locais falharam ao identificar e aumentaram as taxas de detecção em mais de 30%.

No início de 2013, a Apopo abriu um segundo laboratório para treinar os ratos mas em Moçambique. Actualmente, estes ratos de Moçambique estão a detectar casos para oito clínicas e identificaram já 114 casos de tuberculose que de outra forma teriam sido ignorados.

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