Moçambique: ratazanas ajudam médicos a detectar tuberculose

Moçambique: ratazanas ajudam médicos a detectar tuberculose

Ezequiel-Maconha Otenesse, um estudante da Faculdade de Veterinária na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, passava as noites a suar, com dores no peito e os pulmões congestionados. No hospital, Otenesse foi testado várias vezes para tuberculose, mas o diagnóstico só surgiu cinco meses depois, de uma forma pouco comum: o olfacto de uma ratazana.

Para Otenesse, a salvação surgiu quando o médico Emilio Valverde, um especialista em tubercolose da associação belga APOPO, o levou para o seu escritório. Valverde está a testar uma nova forma de detectar a tubercolose, através do olfacto das ratazanas: o animal, do tamanho de um gato, usa o seu olfacto para detectar a presença de tuberculose numa amostra de salifa.

“As ratazanas podem processar mais de 70 amostras em dez minutos. Num laboratório, seriam necessários dois dias”, explicou Valverde à Vice.

Ainda que seja curável e se possa prevenir, a tuberculose permanece a segunda doença infecciosa mais mortal do mundo, sendo responsável por 1,5 milhões de vítimas em 2013. Mais de 95% dos casos ocorreram em países como Moçambique – quase 20.000 pessoas morrem todos os anos, em Moçambique, de tuberculose, sendo que duas em cada três pessoas infectadas nunca saberá que contraiu a doença.

De acordo com o médico, o sistema actual de detecção da tuberculose “não é mau”, mas não é prático para um país como Moçambique, sem infra-estrutura e com taxas muito elevadas da doença: a máquina de testes custa 544.000.000 MZN (€14.600) e, cada teste, cerca de 320.000 MZN (€8.600).

Segundo Valverde, as suas ratazanas já detectaram quase 1.000 maus diagnósticos de tuberculose em Moçambique, nos últimos 20 meses. Agora o médico espera que o consultório por ele gerido em Maputo se multiplique por outras cidades moçambicanas.

Foto: Michelle Tribe / Creative Commons

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