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Pode-se pensar que a poluição é um mal moderno e que começou com a revolução industrial, mas um novo estudo veio demonstrar que os nossos antecessores pré-industriais não eram assim tão ecológicos e que começaram a poluir a atmosfera há pelo menos 500 anos.

Segundo o estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, o Império Espanhol é o responsável pela maior poluição atmosférica no Hemisfério Sul antes da revolução industrial. A principal fonte de exploração terão sido as minas de prata que os conquistadores espanhóis começaram a explorar no território que hoje corresponde à Bolívia no final do século XVI.

“Estas provas suportam a ideia de que o impacto humano no ambiente era generalizado mesmo antes da revolução industrial”, aponta Paolo Gabrielli do Byrd Polar and Climate Reseach e co-autor do estudo, cita o Motherboard.

Durante a conquista da América do Sul, os espanhóis forçaram o povo Inca a trabalhar nas minas de prata, localizadas nas montanhas de Potosi. Embora os Incas já soubessem como refinar a prata, a introdução da tecnologia dos espanhóis em 1572 exponenciou a produção. Em pouco tempo, o chumbo que exalava das minas poluía a atmosfera envolvente e pela primeira vez na história a poluição elevou-se acima dos Andes.

Os investigadores encontraram os primeiros indícios de poluição em 2003, numa escavação de uma secção do manto de gelo de Quelccaya, a cerca de 500 quilómetros a noroeste de Potosí. Os climatologistas referem-se frequentemente ao gelo desta região, que se formou ao longo de 1.200 anos à medida que a neve ia caindo e compactando-se nos Andes, como a Pedra de Roseta para o clima da Terra. As bolsas de ar que ficaram presas na neve funcionam como um registo histórico do clima da altura e das suas alterações.

Recorrendo à espectrometria os investigadores conseguiram medir as quantidades de químicos presentes no gelo, recuando até 800 A.C. Aos cientistas interessava em particular os vestígios de chumbo, já que o processo espanhol de refinaria recorria a este elemento químico. Através da análise os investigadores conseguiram provar que as concentrações de chumbo começaram a aumentar no período que coincide com o início da exploração mineira na zona.

Assim, os cientistas reconheceram Potosí como a primeira fonte de poluição mundial em grande escala, confirmando os resultados através da comparação do gelo de Quelccaya com gelo de outras regiões adjacentes.

Foto: photo61guy / Creative Commons

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