Já o tínhamos escrito no Green Savers: Hans Rat era uma das principais “atracções” da assembleia dos 30 anos da AESE – e o secretário-geral da União Internacional de Transportes Públicos (UITP) não desiludiu.

O responsável começou a sua apresentação com um dado que, mais do que curioso, é exemplificativo da nova tendência global que dá aos transportes públicos um novo e importante papel no desenvolvimento das cidades e sociedades do futuro.

“É interessante ver como o Médio Oriente, de onde vem grande parte do petróleo, está cada vez mais activo na procura pelos transportes públicos”, referiu Rat.

“Um exemplo é o sucesso que o metro do Dubai está a revelar. Com as taxas de congestionamento que o Dubai, mas também a China, vão ter, [terão mesmo que optar por esta solução] ”, explicou.

Segundo Hans Rat, a utilização dos transportes públicos está a crescer em todo o mundo, e nem mesmo os Estados Unidos ficam atrás desta tendência.

“Há cidades a destruir auto-estradas e creio que a indústria automóvel está no fim de um ciclo, se excluirmos a Volkswagen, Mercedes e BMW, que estão a vender cada vez mais no mercado chinês”.

Rat disse que o transporte público é três vezes mais eficiente que os veículos privados e que nem o emergente mercado dos veículos eléctricos irá resolver um problema básico, o da utilização eficiente do espaço público.

“Há uma questão muito importante na mobilidade sustentável, que é o alívio dos congestionamentos e uso mais eficiente do espaço urbano… e os carros eléctricos não vão resolver este problema… aliás, penso mesmo que o irão piorar”, exclamou.

Finalmente, há a questão da mudança de mentalidades, a que Hans Rat dedicou, sobretudo, exemplos práticos. Falou na abertura, no metro de Hong Kong, de lojas como a Yves-Saint Laurent ou Gucci – “que retira o preconceito do transporte público ser só para a população mais pobre” – no artigo da Newsweek que citava um jovem japonês que a dizer que “ter um carro é tão século XX” e no facto de, na Holanda, comprar um SUV ser considerada um acto de mau gosto.