Nunca, numa época da história mundial, duas nações tiveram a sua urbanização ao mesmo tempo. Hoje, como sabemos, China e Índia são o expoente máximo da migração das populações do ambiente rural para as cidades, criando as mediáticas megacidades globais.

Este foi o mote para a apresentação do director global de inovação da Logica, GBS Bindra, na assembleia da AESE.

De acordo com o responsável, estes dois países terão 500 milhões de novos consumidores, nos próximos anos, à procura de electrodomésticos, casas, carros. O que é que isto significa?

“Se não houver inovação agora… imaginem um mundo com 2/3 da sua população à procura destes produtos. Onde estaremos então? Como será possível vivermos?”, atirou.

Para GBS Bindra, as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) têm um papel “crítico” no estímulo à inovação e consequente resolução de problemas que nos baterão à porta no futuro.

O responsável definiu, então, três tendências “verdes”. A primeira é que vamos ter que mudar a forma como trabalhamos, mudar os nossos comportamentos e, quem sabe, passarmos a valorizar mais o trabalho a partir de casa.

A segunda está relacionada com a criação, obrigatória, de novos modelos de negócio para os chamados produtos “verdes”. “Não podemos pedir às pessoas para gastarem mais para serem verdes, precisamos é de novos modelos de negócio que tornem mais baratos esses produtos”, revelou.

Então, GBS Bindra passou da teoria para a prática e deu um exemplo de como a Logica resolveu um problema relacionado com esta questão.

Na Índia, a empresa criou um sistema que penaliza a compra de combustível para os consumidores com carros mais poluentes. Este sistema acabou por incentivar a compra de automóveis mais amigos do ambiente – os tais produtos “verdes” que, quase sempre, são mesmo mais caros.

A terceira e última tendência tem como pano de fundo a informação. Com sete novas cidades do tamanho de Londres a nascerem todos os anos, é imprescindível que estas sejam cidades inteligentes, ligadas entre as suas redes de transportes, educação, saúde, segurança e gestão de desastres.

“No futuro, uma cidade com dados de todos os seus pontos pode fazer com que uma ambulância tome o caminho com menos trânsito de volta ao hospital”, exemplificou, em forma de conclusão, GBS Bindra.