Todas as crises deram origem a fases de grande expansão. Foi desta forma que Diogo Vasconcelos, distinguished fellow da Cisco, iniciou a sua apresentação na Assembleia que comemorou os 30 anos da AESE. “Estaremos numa fase dourada da inovação, das novas formas de criação de riqueza e oportunidades de crescimento na Europa?”, perguntou então.

Aproveitando a fase final da apresentação do professor Luis Manuel Calleja, Diogo Vasconcelos arrancou para 40 minutos dedicados, sobretudo, à inovação social.

Antes, o responsável alertou que os seis milhões de posto de trabalho perdidos, recentemente, na Europa, não irão voltar. “Temos novos mercados, como o das alterações climáticas, saúde e seniores, recursos naturais, reabilitação urbana e uso de energia”, mas as nossas antigas profissões não voltarão.

Segundo Vasconcellos, as organizações públicas e privadas terão, no futuro, que ter conhecimentos etnográficos, conhecer os consumidores. “O medo afecta muitas sociedades desenvolvidas e o pior que pode acontecer é as pessoas pensarem que são um fardo para a própria sociedade”.
Dito isto, o responsável da Cisco desenrolou uma série de projectos que têm em comum a inovação social, sobretudo numa vertente tecnológica.

Um exemplo: o The Big Lunch, um evento realizado em 2009 no Reino Unido cujo objectivo foi trazer de volta as pessoas para o convívio de rua.
O The Big Lunch é patrocinado por vários empresas e associações, entre as quais a Mastercard e a EDF e juntou, no ano passado, um milhão de britânicos em 8.263 ruas.

“O grande erro de planeamento urbano do século XXI é a falta de movimento nas ruas, a falta de espaço público”, reconheceu Vasconcelos.
Com a inovação social, terminou Vasconcelos, os principais problemas da sociedade de hoje poderão ser trabalhados e menorizados. Porque uma cidade sustentável é também uma cidade com menos problemas sociais.