Em Agosto, a revista Pública publicou um extenso artigo sobre gestores “que não são doutores nem engenheiros”, dando como exemplo nomes bem conhecidos do mundo empresarial português, como Rui Nabeiro, fundador da Delta, Rodrigo Costa, presidente da Zon ou António Saraiva, presidente da CIP (Confederação da Indústria Portuguesa) e único gestor que conseguiu chegar a administrador do Grupo Mello sem ter licenciatura.

Estas são as excepções à regra, admitimos, e a maior parte delas é feita de self-made men com uma invulgar visão de futuro e um atípico empreendedorismo. Mas, também aqui, há excepções que precisam da regra.

Entre outras, a Pública conta a incontornável “estória” de vida de José Luís Simões, presidente da Luís Simões, grupo de dez empresas com negócios no sector dos transportes e logística e que gere 500 rotas diárias entre Portugal e Espanha.

Conta a Pública que José Luís Simões nunca chegou a fazer o exame de admissão ao liceu – por vontade do pai – e cedo saltou para a mercearia da aldeia e, depois, para o Mercado da Ribeira, onde a família vendia salsa e hortelã.

Mais tarde, com 18 anos, foi para o escritório da empresa, quando esta já era regional. “Irritava-me profundamente quando queria fazer as coisas e não sabia. Estudei muita coisa do ponto de vista técnico e quanto mais conhecia, mais sentia falta da base da matemática, da gramática, das ciências. Via pessoas que conseguiam perceber aquilo em duas horas; eu precisava de dois dias”, disse à Pública.

E, quando os irmãos lhe fizeram formalmente a proposta de assumir a presidência do grupo, a primeira coisa que fez foi um curso de Alta Direcção de Empresa na AESE. “Nos tempos em que vivemos, ter uma licenciatura não chega. É preciso muitíssimo mais. Ir para a universidade só aumenta a nossa capacidade de aprendizagem”, defendeu.

A assembleia dos 30 anos da AESE, dedicada às “Cidades Sustentáveis e Competitivas”, parte do mundo em mudança para fazer um diagnóstico da realidade portuguesa e debater uma estratégia de crescimento económico-social. E, nos tempos que correm, atrevemo-nos a dizer que não poderia chegar na melhor altura.

Consulte o programa para 29 de Outubro.

http://www.aese.pt/assembleia/horario.html