Durante a Assembleia que celebrou os 30 anos da AESE, que se realizou no Centro de Congressos do Estoril, na passada sexta-feira, a questão que dá o título a este texto nunca foi colocada assim, tão friamente.

No entanto, a própria estrutura do programa “obrigava” a que, no final do dia, como que por magia esta pergunta se auto-respondia.

E, afinal, como podemos construir cidades mais sustentáveis? Podemos começar por apostar nas energias renováveis. Como disse Miguel Matias, presidente da Self Energy, o desafio da energia é a maior revolução, na sociedade, nos últimos 20 anos, desde a revolução das TI.

Segundo Miguel Matias, esta revolução vai mexer na estrutura física das cidades, no seu ordenamento e planeamento. “As nossas ruas vão deixar de ser feitas nos gabinetes dos nossos governantes e passar a estar ordenadas pelo Sol. Isto porque as nossas cidades vão passar a ser sustentáveis”.

E porquê o Sol? Porque, por exemplo, “é um crime continuar a aquecer a água da nossa casa com electricidade, [isto] quando o Sol pode fazê-lo”.
Das renováveis passámos às smart grids e à forma como as cidades serão, à medida que se tornam mais sustentáveis, cada vez mais inteligentes, interligando através da informação os sistemas de transportes, a educação, a saúde, a segurança ou a gestão de desastres.

O final da manhã estava reservado à mobilidade sustentável e Hans Rat, o secretário-geral da UITP (União Internacional dos Transportes Públicos) mas sobretudo o professor Tiago Farias, do IST, encheram a sala com argumentos que nos levam a repensar a nossa própria mobilidade.

O futuro, esse será dos transportes públicos, sendo que o veículo eléctrico, apesar de aparentemente benéfico, não é a solução. “Ficava chateado se estivermos a convencer as pessoas a mudar de carro e não de comportamento”, chegou a argumentar Tiago Farias.

A parte da tarde foi dedicada à competitividade das cidades, quer numa vertente cultural (o exemplo de Guimarães como Capital Europeia da Cultura), da integração dos sistemas urbanos ou da forma como as cidades – sobretudo as médias – são núcleos de oportunidades de negócio.

Porque o conceito de cidade sustentável, aliás, como o próprio conceito de sustentabilidade, não se reduz a uma vertente unicamente ambiental. Ou social e económica. Ficou também provado que a inovação é essencial em todo este processo.

Ao fim e ao cabo, as cidades serão isso mesmo. Centros de inovação institucional e de negócio onde, ao contrário do que terá acontecido no século XX, as ruas, planeamento e espaço público pertencerá aos seus cidadãos – e não aos autocarros ou edifícios desprovidos de pessoas e sustentabilidade.