Em Outubro de 2009, a Carris e o Metropolitano de Lisboa foram os anfitriões da 5ª Conferência Internacional de Marketing, convocada pela UITP (União Internacional de Transportes Públicos) para debater estratégias sobre como poderiam – e poderão – as transportadoras colectivas aumentar a sua quota de mercado e margem de lucro.

À medida que as sessões se iam sucedendo e os case studies das diferentes cidades de todos os continentes apresentando, uma conclusão tornou-se óbvia: é preciso competir contra – e combater – o automóvel. (Aliás, a Carris aproveitou a conferência para lançar o movimento Menos Um Carro.)

Como? Estimulando a procura pelos transportes público através da inovação, da tecnologia e de um fortíssimo investimento na marca.

O combate ao transporte individual – o automóvel que viaja, quase sempre, só com o seu condutor – é hoje um dos temas mais importantes das cidades. Da economia. Das populações, que perdem duas a três horas por dia no trânsito, dependendo das cidades e dos trajectos. Dos habitantes da cidade, cuja segurança e saúde ficam hipotecados com as sucessivas filas de trânsito. E das empresas, cuja produtividade dos seus colaboradores é afectada todos os dias pelo tráfego.

Secretário-geral da UITP desde Junho de 1998, Hans Rat é a cara das transportadoras colectivas globais, tendo nos últimos 12 anos sido responsável pela expansão da associação ao mercado global, por uma maior representação de todos os “actores da mobilidade” na UITP e pela defesa de um papel mais decisivo das transportadoras nas políticas de desenvolvimento.

Com um passado como director-geral da NV Verenigd Streekvervoer Holanda, holding que detém transportes públicos, táxis e expressos e presidente da Associação Holandesa de Pedestres – tendo também passado pela Comissão Europeia – Rat é um dos mais influentes especialistas mundiais em transportes públicos e mobilidade sustentável.

No dia 29, no Centro de Congressos do Estoril, a sua apresentação sobre os novos transportes públicos no debate público-privado promete ser um dos pontos altos da assembleia da AESE.

Até porque, minutos depois, o professor do Instituto Superior Técnico Tiago Farias abordará as implicações da mobilidade eléctrica nos hábitos pessoais e sociais.

A questão que deverá ser colocada no final destas apresentações – a ambos os convidados – será: como podem as cidades renovar a sua oferta de transportes públicos e colectivos, aumentando a sua quota de mercado e viabilidade, ao mesmo tempo que vão “perdendo” – à medida que a frota de veículos eléctricos se torna mais vulgar no dia-a-dia – o argumento da “sustentabilidade ambiental”?

Uma questão para ser respondida no dia 29 de Outubro, no Centro de Congressos do Estoril.