Não poderia ter começado melhor a Assembleia dos 30 anos da AESE, com a inspiradora apresentação de Miguel Matias, presidente da Self Energy, empresa recentemente comprada pela Soares da Costa e que está presente em Espanha, Reino Unido e Moçambique.

A Self Energy, recorde-se, actua no mercado da eficiência energética e desenvolvimento de projectos de energias renováveis.

Miguel Matias começou por explicar que existe uma grande diferença, sempre que falamos de energia, entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Assim, enquanto na Europa, por exemplo, coloca-se sobretudo a questão de como podemos poupar energia – ou torná-la mais eficiente – nos países em desenvolvimento a questão passa por saber como aceder a essa mesma energia.

Abertas assim as “hostilidades”, Miguel Matias colocou em cima da mesa um número: 15%. É esta a taxa de electrificação no continente africano. Um número bastante baixo e que faz como que empresas como a Self Energy Moçambique tenham um importante papel no futuro do desenvolvimento das sociedades locais.

Aliás, Miguel Matias explicou mesmo que, em Moçambique, a Self Energy está a preparar um projecto de 50 vilas solares. “O nosso objectivo em Moçambique será a electrificação rural. É que os países em desenvolvimento têm nas energias renováveis um passaporte para o futuro”, explicou, enquanto referia que a produção descentralizada de energia será o motor que irá levar para a frente as sociedades do futuro.

Finalmente, o responsável explicou que a área da energia – e os seus desafios – só têm comparação, nas últimas décadas, com a revolução das Tecnologias de Informação de há 20 anos… e assim estava aberto o debate para oito horas de discussão sobre cidades sustentáveis.